quarta-feira, 16 de março de 2016

Sobre FOMO e a habilidade de conseguir desplugar nos dias de hoje...

Imagem: https://theblueroomblog.org/fight-the-fomo/ 

FOMO, já tinha ouvido esse termo dos lábios da Julia Petit e ontem novamente em um programa dominical. Significa "medo de ficar por fora, perder alguma coisa", ou Fear of Missing Out.
É um fenômeno recente que traduz a forma como nos sentimos - e me incluo nisso - de estar perdendo alguma coisa, deixando passar, faltou atualizar... 
É grupo de família e suas piadas todas iguais no WhatsApp, são grupos de Facebook - devo fazer parte de uns 100 - Twitter, blogs, noticias, tempo, o último meme, aquele bar badalado, fazer checkin nos lugares, avaliar um restaurante, publicar uma foto no face, insta... Isso desde a hora que acorda até o momento de dormir. E dá-lhe uma última conferida no insta e curtidas compulsivas em forma de coração antes de fechar os olhos para amanhã recomeçar, tu-do ou-tra vez!
Faço tudo isso e tenho várias redes sociais também e algumas que me recusei entrar para não ter que administrar mais uma - tô falando de você Snapchat - e as vezes sinto que vi muita coisa e não absorvi nada, pois ao mesmo tempo que temos uma imensidade de informações, analisando friamente, não passamos da segunda página. Vide as pesquisas do Google. 


Tenho sentido isso em casa também, desde família até mensagens de trabalho - ou de alguma vaca, rá! - ao longo da noite, do dia, final de semana e a coisa não para nunca! Como se vivêssemos o tempo todo com o dedo no touch do celular. Não temos onde nos esconder mais quando queremos fugir um pouco do mundo.

Aliás, que senhora evolução! Lembro até hoje - sou uma criança dos anos 80 - quando saiu o primeiro celular pré-pago - o que foi um catalisador - vermelho, Americel, com Regina Casé um um papagaio verde fazendo a propaganda. Alguém recorda?

Depois disso a coisa evoluiu para os smartphones que conhecemos e passou a ter um alcance muito além da meia dúzia de gatos pingados que possuíam celular à época. Operadoras pré e pós pagas foram também as grandes impulsionadoras para chegarmos ao ponto que estamos hoje. 

Basicamente 7 em cada 10 brasileiros têm telefone celular, o que dá 75% da população conectada de alguma forma segundo o IBGE, ou seja temos 1/3 da população vivendo nessa era de rápidas conexões, curtidas desenfreadas e exposições - de si mesmas ou de outros - em que a velocidade que era o empecilho da Era discada, hoje não existe mais. 

E digo mais, é difícil desconectar! O mundo pela tela ou teclado parece infinitamente mais interessante que nosso vazio existencial - se precisar, chamo marido para escrever sobre - em que a alegoria da caverna de Platão vem a calhar.

Quantas vezes não vemos cenas de várias pessoas em uma mesa e ninguém conversa entre si? Vejo isso em sala de aula, na família, com amigos...
Vi na mesma reportagem de domingo que falava que estamos ficando mais burros, pois se antes você precisava ler vários livros para entender sobre um assunto, hoje uma rápida busca no google resolve, sem a necessidade de confirmar se aquela informação é precisa ou foi diluída. A capacidade de raciocínio mais desenvolvido e elaborado está minguando, precisamos de mais frases curtas para entender algo, pois um texto mais longo faz a atenção ir embora. Tenho algumas teorias um tanto quanto polêmicas sobre o assunto também, mas nesse momento não convém discorrer. 

O que quero passar com esse post é que sim, tecnologia é boa, encurta caminhos e tem uma possibilidade quase infinita de usos, mas desplugar de vez em quando é preciso. Desligar o wifi do celular, sair e deixar ele em casa que seja por algumas horas. Afinal se é importante a noticia chega até você. 
Curtir um filme, uma série, um livro, preparar uma receita - que sim, pode ter sido catada na internet - e se divertir um pouco sem estar plugado de alguma forma. 

Vou encerrar com uma pergunta que sempre faço aos meus amigos quando ficam compulsivamente checando o celular: "essas pessoas com quem você fala sem parar pelo whats/face enquanto conversa comigo, quando você as encontra pessoalmente, também as deixa de lado para conversar com outra pessoa diferente pelo celular?" 

Comentem ai. 

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